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Mensagem por dracofu em Sex 07 Ago 2009, 22:05


Manga




História

Os
mangás têm suas raízes no período Nara (século VIII d.C.) com a
aparição dos primeiros rolos de pintura japoneses: os emakimono. Eles
associavam pinturas e textos que juntos contavam uma história à medida
que eram desenrolados. O primeiro desses emakimono, o Ingá Kyô, é a
cópia de uma obra chinesa e separa nitidamente o texto da pintura.

A
partir da metade do século XII, surgem os primeiros emakimono com
estilo japonês, do qual o Genji monogatari emaki é o representante mais
antigo conservado, sendo o mais famoso o Chojugiga, atribuído ao bonzo
Kakuyu Toba. O Chojugiga está guardado no templo de Kozangi em Quioto.
Nesses últimos surgem, diversas vezes, textos explicativos após longas
cenas de pintura. Essa prevalência da imagem assegurando sozinha a
narração é hoje uma das características mais importantes dos mangás.

No
período Edo, em que os rolos são substituídos por livros, as estampas
eram inicialmente destinadas à ilustração de romances e poesias, mas
rapidamente surgem livros para ver em oposição aos livros para ler,
antes do nascimento da estampa independente com uma única ilustração: o
ukiyo-e no século XVI. É, aliás, Katsushika Hokusai o precursor da
estampa de paisagens, nomeando suas célebres caricaturas publicadas de
1814 à 1834 em Nagoya, cria a palavra mangá — significando "desenhos
irresponsáveis" — que pode ser escrita, em japonês, das seguintes
formas: Kanji (漫画, Kanji?), Hiragana (まんが, Hiragana?), Katakana (マンガ,
Katakana?) e Romaji (Manga).

De Estampas a Quadrinhos

Os
mangás não tinham no entanto sua forma atual que surge no início do
século XX sob influência de revistas comerciais ocidentais,
provenientes dos Estados Unidos. Tanto que chegaram a ser conhecidos
como Ponchi-e (abreviação de Punch-picture) como a revista britânica,
origem do nome, Punch magazine (Revista Punch), os jornais traziam
humor e sátiras sociais e políticas em curtas tiras de um ou quatro
quadros. Diversas séries comparáveis as de além-mar surgem nos jornais
japoneses: Norakuro Joutouhei (Primeiro Soldado Norakuro) uma série
antimilitarista de Tagawa Suiho, e Boken Dankichi (As aventuras de
Dankichi) de Shimada Keizo são as mais populares até a metade dos anos
quarenta quando toda a imprensa foi submetida à censura do governo,
assim como todas as atividades culturais e artísticas. Entretanto, o
governo japonês não hesitou em utilizar os quadrinhos para fins de
propaganda.

Pós-Guerra e Renovação

Sob
ocupação americana após a Segunda Guerra Mundial, os mangakas, como os
desenhistas são conhecidos, sofrem grande influência das histórias em
quadrinhos ocidentais da época, traduzidas e difundidas em grande
quantidade na imprensa cotidiana. É então que um artista influenciado
por Walt Disney revoluciona esta forma de expressão e dá vida ao mangá
moderno: Osamu Tezuka. As características faciais semelhantes aos dos
desenhos de Disney onde olhos, boca, sobrancelhas e nariz são
desenhados de maneira bastante exagerada para aumentar a expressividade
dos personagens, o que tornou sua prolífica produção possível. É ele
quem introduz com exatidão os movimentos nas histórias através de
efeitos gráficos, como linhas que dão a impressão de velocidade ou
onomatopéias que se integram com a arte, destacando todas as ações que
comportassem movimento, mas também, e acima de tudo, pela alternância
de planos e de enquadramentos como os usados no cinema. As hitórias
ficaram mais longas e começaram a ser divididas em capítulos.

Osamu
Tezuka cria, junto ao próprio estúdio Mushi Production, a primeira
série de animação para a televisão japonesa em 1963, a partir de uma de
suas obras: Tetsuwan Atom (Astro Boy). Finalmente a passagem do papel
para a televisão tornou-se comum e o aspecto comercial do mangá ganhou
amplitude, mas Tezuka não se contentou com isso. Sua criatividade o
levou a explorar diferentes gêneros — na sua maioria, os mangás tinham
como público-alvo as crianças e jovens —, assim como a inventar novos,
participando no aparecimento de mangás para adultos nos anos sessenta
com os quais ele pôde abordar assuntos mais sérios e criar roteiros
mais complexos. Ele também foi mentor de um número importante de
mangakas como Fujiko Fujio (dupla criadora de Doraemon), Akatsuka
Fujio, Reiji Matsumoto e Shotaro Ishinomori.

Assim, os mangás
cresceram simultaneamente com seus leitores e diversificaram-se segundo
o gosto de um público cada vez mais importante, tornando-se aceitos
culturalmente. A edição de mangás representa hoje mais de um terço da
tiragem e mais de um quarto dos rendimentos do mercado editorial em seu
país de origem. Tornaram-se um verdadeiro fenômeno ao alcançar todas as
classes sociais e todas as gerações graças ao seu preço baixo e a
diversificação de seus temas. De fato, como espelho social, abordam
todos os temas imagináveis: a vida escolar, a do trabalhador, os
esportes, o amor, a guerra, o medo, séries tiradas da literatura
japonesa e chinesa, a economia e as finanças, a história do Japão, a
culinária e mesmo manuais de "como fazer", revelando assim suas funções
pedagógicas.

Estilo

Para
os japoneses as histórias em quadrinhos são leitura comum de uma faixa
etária bem mais abrangente do que a infanto-juvenil; a sociedade
japonesa é ávida por leitura e em toda parte vê-se desde adultos até
crianças lendo as revistas. Portanto, o público-consumidor é muito
extenso, com tiragens na casa dos milhões e o desenvolvimento de vários
estilos para agradar a todos os gostos.

Por isso os mangás são
comumente classificados de acordo com seu público-alvo. Histórias onde
o publico alvo são meninos — o que não quer dizer que garotas não devam
lê-los — são chamados de shonen (garoto jovem, adolescente, em japonês)
e tratam normalmente de histórias de ação, amizade e aventura.
Histórias que atualmente visam meninas são chamados de shoujo (garota
jovem em japonês) e têm como característica marcante as sensações e
sensibilidade da personagem e do meio (também existem garotos que leêm
shojo pois existem shoujos com bastante ação e luta). Além desses,
existe o gekigá, que é uma corrente mais realista voltada ao público
adulto (não necessariamente são pornográficos ou eróticos) e ainda os
gêneros seinen para homens jovens e josei para mulheres. Os traços
típicos encontrados nas histórias cômicas (olhos grandes, expressões
caricatas) não são encontrados nessa última corrente. Existem também os
pornográficos, apelidados hentai. As histórias yuri abordam a relação
homossexual feminina e o yaoi (ou Boys Love) trata da relação amorosa
entre dois homens, mas ambos não possuem necessariamente cenas de sexo
explícito.

Formato

A
ordem de leitura de um mangá japonês é a inversa da ocidental, ou seja,
inicia-se da capa do livro com a lombada à sua direita (correspondendo
a contracapa ocidental), sendo a leitura das páginas feita da direita
para a esquerda. Alguns mangás publicados fora do Japão possuem a
configuração habitual do Ocidente.

Além disso, o miolo é
impresso em preto-e-branco, contando esporadicamente algumas páginas
coloridas, geralmente no início dos capítulos, e em papel reciclado
tornando-o barato e acessível a qualquer pessoa.

Os mangás são
publicados no Japão originalmente em revistas antológicas. Essas
revistas com cerca de 300 à 800 páginas são publicadas em
periodicidades diversas que vão da semana ao trimestre. Elas trazem
capítulos de várias séries diferentes. Cada capítulo normalmente tem
entre dez e 40 páginas. Assim que atingem um número de páginas em torno
de 160~200, é publicado um volume, chamado tankohon ou tankobon, no
formato livro de bolso, que, aí sim, só contém histórias de uma série.
Esses volumes são os vendidos em diversos países dependendo do sucesso
alcançado por uma série, ela pode ser reeditada em formato bunkoubon ou
bunkouban (完全版, bunkoubon ou bunkouban?) (mais compacto com maior
número de páginas) e wideban (ワイド版, wideban?) (melhor papel e formato
um pouco maior que o de bolso).

Uma das revistas mais famosas
por lá é a Shonen Jump da editora Shueisha. Ela publicou clássicos como
Dragon Ball, Saint Seiya (ou Cavaleiros do Zodíaco), Yu Yu Hakusho e
continua publicando outra séries conhecidas como Naruto, One Piece,
Bleach e Death Note. Existem também outras revistas como a Champion Red
mensal (Akita Shoten), que publica Saint Seiya Episode G (Cavaleiros do
Zodíaco Episódio G), a Shonen Sunday semanal (Shogakukan), que
publicava InuYasha, e a Afternoon mensal (Kodansha). Entre outras,
podem-se citar também a Nakayoshi (Kodansha), revista de shoujo famosa
que publicou entre outros Bishoujo Senshi Sailor Moon e Sakura Card
Captors, e a Hana to Yume (Hakusensha) que publica Hana Kimi e Fruits
Basket.

Há também os fanzines e dōjinshis que são revistas
feitas por autores independentes sem nenhum vínculo com grandes
empresas. Algumas dessas revistas criam histórias inéditas e originais
utilizando os personagens de outra ou podem dar continuidade a alguma
série famosa. Esse tipo de produto pode ser encontrado normalmente em
eventos de cultura japonesa e na internet. O Comiket (abreviação de
comic market), uma das maiores feiras de quadrinhos do mundo com mais
de 400.000 visitantes em três dias que ocorre anualmente no Japão, é
dedicada ao dōjinshi.

No Brasil

Embora
a primeira associação relacionada a mangá, a Associação Brasileira de
Desenhistas de Mangá e Ilustrações, tenha sido criada em 3 de fevereiro
de 1984, o "boom" dos mangás no Brasil aconteceu por volta de dezembro
de 2000, com o lançamento dos títulos Dragon Ball e Cavaleiros do
Zodíaco pela Editora Conrad (antiga Editora Sampa). Porém, esses não
foram os primeiros a chegar a território brasileiro. Alguns clássicos
foram publicados nos anos 80 e começo dos anos 90 sem tanto destaque,
como Lobo Solitário pela Editora Cedibra, Akira pela Editora Globo,
Crying Freeman, pela Editora Sampa e A Lenda de Kamui e Mai - Garota
Sensitiva pela Editora Abril e Cobra, Baoh e Escola de Ninjas pela
Dealer. Porém, a publicação de vários títulos foi interrompida e o
público brasileiro ficou sem os mangás traduzidos por vários anos.
Existiram ainda edições piratas de alguns mangás[carece de fontes?]. O
mais famoso foi Japinhas Safadinhas lançado em nove edições pela
"Bigbun" (selo erótico da Editora Sampa). O mangá era uma versão sem
licenciamento de Angel de U-jin.

A popularidade do estilo
japonês de desenhar é marcante, também pela grande quantidade de
japoneses e descendentes residentes no país. Já na década de 1960,
alguns autores descendentes de japoneses, como Julio Shimamoto e
Claudio Seto, começaram a utilizar influências gráficas, narrativas ou
temáticas de mangá em seus trabalhos. O termo mangá não era utilizado,
mas a influência em algumas histórias tornou-se óbvia. Alguns trabalhos
também foram feitos nos anos 80, como o Robô Gigante de Watson Portela
e o Drácula de Ataíde Braz e Neide Harue. O movimento voltou a produzir
frutos nos anos 90. Com a inconstância do mercado editorial brasileiro,
existe pelo menos uma revista nacional no estilo mangá que conseguiu
relativo sucesso; a Holy Avenger. Além deste temos também outras
publicações bastante conhecidas pelos fãs de mangá, como Ethora, Combo
Rangers e a antiga revista de fanzines Tsunami. Atualmente os
quadrinhos feitas no estilo mangá, tirando algumas exceções, como as
citadas acima, se baseia grandemente em fanzines.

Apesar da
aceitação do estilo de história em quadrinho japonês, a maioria das
edições vêem ao Brasil com determinadas alterações quanto ao número de
páginas por edição. Muitas vezes, dividem pela metade cada edição,
elevando demasiadamente o custo pela coleção.


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